PRAIAS BRANCAS EM CABO VERDE

Como é que isso funciona?

O arquipélago cabo-verdiano é conhecido por suas belas praias de areia branca, formando um habitat valioso para organismos entre marés, como caranguejo fantasma e locais de nidificação exclusivos para tartaruga-cabeçuda. Fragmentos de concha macroscópica de organismos produtores de calcita e aragonita (CaCO3) foram encontrados em praias ao longo da costa de São Vicente com uma quantidade variável de detritos de rochas vulcânicas negras.

A investigação microscópica das amostras de areia revelou uma origem biogênica dos grãos brancos com uma composição individual para cada local de amostragem. Apenas uma fração muito pequena de partículas <125 µm foi encontrada, indicando que a poeira saariana soprada pelo vento (1-10 µm) desempenha um papel menor na formação das praias e dunas brancas de Cabo Verde.

Área de estudo

Para descobrir se as partículas brancas são de origem vulcânica, marinha ou soprada pelo vento do deserto do Saara, investigamos cinco locais diferentes em São Vicente em escala macroscópica e microscópica; Praia de São Pedro, no sudoeste, e Baía das Gatas, as dunas do Norte da Baía, Praia Grande e Calhau Club, no nordeste da ilha. Todas as praias são de cor branca a amarela, exceto a praia de cor preta ao lado do Calhau Club.

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Praia de São Pedro

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Baía das Gatas

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Norte de Baía

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Praia Grande

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Calhau Club

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Escala maroscópica

Muitos fragmentos de carbonato foram encontrados em muitos locais visitados, como mostra a figura 2. Isso sugere que os grãos de areia podem se originar deles. A proporção de cada tipo de organismo biogênico foi diferente para cada local individual.

Além disso, a inclinação da plataforma e a energia das ondas podem  influenciar a composição do material da praia, como observado no Calhau Club (local de amostragem 5). A presença próxima de um vulcão jovem (0,2 Ma) aumenta o fluxo de material vulcânico naquele local, o que o torna preto. A energia eólica pode transportar partículas finas para o interior para formar dunas (local de amostragem 3).

Fragmentos de organismos produtores de carbonato marinho (monoplacóforos, bivalves, espondilos, corais, algas vermelhas cristalinas, gastrópodes) encontrados na Praia de São Pedro (esquerda) e Praia Grande (direita).

Escala microscópica

Em uma escala menor, os grãos que compõem a areia variam de forma e cor de um local para outro. Como mostrado na figura abaixo, as partículas brancas não se parecem em nada com quartzo granular que normalmente forma areia comum.

Um simples teste com ácido clorídrico sugeriu a presença de carbonato na fração de grãos brancos, embora muitos dos fragmentos não possam ser encaminhados para organismos específicos devido à alta taxa de erosão. No entanto, os fragmentos identificáveis correspondem aos grandes fragmentos encontrados nas praias. Como é visível na imagem do Norte de Baia, é possível encontrar forminifera nas amostras.

Imagens microscópicas de amostras de areia retiradas de

(1) Praia de São Pedro

(2) Baía das Gatas

(3) Norte de Baía

(4) Praia Grande

(5) Calhau Club

PRINCIPAIS CONCLUSÕES

  • A areia branca vem principalmente de organismos desagregados produtores de carbonato

  • Este material biogênico se originou das águas próximas

  • A energia eólica e das ondas transporta os fragmentos para o litoral

  • A energia das ondas corrói os grãos e afeta a distribuição do tamanho dos grãos

  • Partículas menores e mais leves foram transportadas para o interior por energia eólica para formar dunas

Patrick Duplessis (TOSST), Felix Geißler (HOSST), Maldini dos Santos (UniCV), Falko Vehling (HOSST)